A 12 de setembro de 1969 foi criada a mais importante empresa pública de cinema da América Latina: a Empresa Brasileira de Filmes (EMBRAFILME), que como um cometa, fulgurou durante toda a década de 1970, iluminando as telas e as salas de cinema de todo o país com uma produção de centenas de filmes que mudaram estética, política e economicamente a história do audiovisual brasileiro.

A EMBRAFILME deu centralidade à atividade cinematográfica nas políticas públicas de cultura do Brasil e fez ressurgir o projeto nacional-desenvolvimentista de se criar por aqui uma vigorosa indústria cinematográfica com forte intervenção e regulação estatal para disciplinar e tentar harmonizar interesses entre produtores, distribuidores e exibidores nacionais e estrangeiros, esses últimos bastante incomodados com a rápida ascenção e sucesso da empresa estatal.

Em 1980, para se ter uma idéia dos sucessos da empresa, o público espectador de filmes brasileiros chegou a ocupar 35% do mercado nacional, e a média de espectadores por filme brasileiro alcançou a faixa de aproximadamente 239 mil – 30 mil a mais que o filme estrangeiro.  A atmosfera que se respirava era de euforia: fim da censura, crise e esgotamento do regime militar e a sonhada anistia política. Mas tudo isso, rapidamente foi se dissipando, até sumir de vez no fim do horizonte dessa mesma década.

Diversos fatores foram apontados para justificar o declínio da EMBRAFILME, entre os quais, a redução da capacidade de investimento do Estado diante da crise do petróleo; a dolarização das atividades cinematográficas no país; o progresso técnico do cinema norte-americano e sua maior agressividade na conquista de mercados na América Latina; a queda brusca de público com a difusão dos aparelhos de vídeo cassete, entre muitos outros.

No final dos anos 80, era forte a campanha contra a empresa, acusada de clientelismo, desperdício e má administração. A intenção era convencer a opinião pública de que o cinema não devia ser matéria de Estado.

Em março de 1990, sem a abertura de qualquer processo administrativo e/ ou discussão pública que pudesse reorientar sua missão e a estratégia, a EMBRAFILME foi extinta, levando com ela, sob igual procedimento discricionário e unilateral, todas as fundações e empresas vinculadas ao Ministério da Cultura. A tela escurece. A atividade cinematográfica vai ao fundo do poço. O Governo Collor de Mello despenca e chega ao fim na seqüência seguinte