No mês de maio, o espaço do especialista é do mixador Alexandre Jardim. Com mais de 25 anos de bagagem em cinema, Alexandre é responsável pelas mixagens do CTAv há 8 anos, tendo inúmeros títulos em seu currículo, entre eles os memoráveis Olho de boi, de Hermano Penna e Terras, de Maya Da-Rin. Também atua como restaurador de som e tem como seus trabalhos de destaque nesse campo os filmes Rainha Diaba, de Antônio Carlos Fontoura e Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias.

Antes de integrar a equipe do CTAv, Alexandre passou 15 anos trabalhando na extinta Tv Educativa. No ano passado, ministrou a Oficina de Som de Animação no Curta Canoa e foi jurado do Cine Ceará. Colecionador de elogios dos realizadores, nessa entrevista, ele conta um pouco sobre seu ofício, sua experiência e sobre o próprio potencial do estúdio do CTav.  Confira abaixo:

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CTAv>>Em uma análise mais completa, em que consiste o trabalho de um mixador audiovisual?

A principal função de um mixador, seja ele de cinema ou de outra mídia, é fazer com que o som do produto audiovisual fique do jeito que o diretor idealizou. E para isso, o mixador precisa ter muita criatividade e conhecimento, pois trabalha com o mais moderno aparato tecnológico. A mixagem é que vai dar a forma definitiva do som de um filme e, para chegar a este produto final, é feito um trabalho exaustivo e criativo de  equalização, processamentos e distribuição do som nas caixas, de modo que o espectador se sinta bem ao assistir um filme.

CTAv>>Qual o potencial do estúdio do CTAv em relação a outros encontrados no mercado nacional?

O estúdio de mixagem do CTAV possui a certificação da DOLBY para som 5.1 Dolby Digital e é um dos mais modernos e bem equipados do Brasil. Temos potencial para mixar grandes produções, mas priorizamos à produção nacional de baixo orçamento, principalmente os curtas metragens, que são escolhido por uma comissão de profissionais gabaritados.

CTAv>>Quais são os formatos mais conhecidos de múltiplos canais?

Os formatos mais conhecidos são: 5.1 e 2.0

CTAv>>E quais desses formatos estão disponíveis para as mixagens feitas nos estúdios CTAv?

Ambos os formatos estão disponíveis para as nossas mixagens.

CTAv>>É necessária durante o processo de mixagem a presença do diretor junto ao mixador responsável?

Sim, a presença do diretor é necessária, assim como a do editor de som. Mas o editor é opcional, pois sabemos que as produções às vezes não dispõem de verba para tal.

CTAv>>Quais as especificações que o material entregue ao mixador deve seguir para que esteja pronto para iniciar o processo?

Existem várias formas de entregar esse material, mas o melhor é que o editor de som entre em contato com o mixador do local que fará o serviço para obter as informações necessárias.

CTAv>>Quais são os planos e efeitos de mixagem mais conhecidos e pedidos?

Não existe um plano de mixagem pré-definido, nem o mais pedido, o que existe é o que o diretor quer e o que é possível fazer. Ai entra a criatividade e experiência do mixador. Aqui no Ctav os diretores sempre saem muito satisfeitos e surpresos com o resultado.

CTAv>>Após o processo de mixagem, qual a influência que a sala de cinema pode exercer no trabalho do mixador?

Se a sala de cinema possuir um bom equipamento e este estiver bem calibrado, ouviremos o som como ele foi mixado, mas não é o que vem acontecendo, infelizmente.

CTAv>>Cite algumas obras que passaram pelo estúdio CTAv que tiveram destaque em premiações:

São várias, posso citar: Olho de boi, de Hermano Penna, Carro-forte, de Mario Diamante, Melhor idade, de Angelo Defanti, Tira os óculos e Recolhe o Homem, de André Sampaio, entre outras.

CTAv>>Que dica você dá para quem se interessar em seguir essa profissão?

Tem que começar conhecendo todas as etapas de finalização de um filme, som direto, gravação, dublagem, edição de som, e é bom que conheça um pouco de musica também e, por fim, ser um bom assistente de mixagem, pois ninguém se transforma em mixador do dia para a noite. E boa sorte!