margaret mee“Rata de cinema desde criança” como ela mesma  se define, Malu de Martino passou boa parte de sua infância assistindo a filmes nas salas do cinema em que seu tio gerenciava na cidade de Miracema. Dessa experiência foi despertado o seu interesse pela arte da cinematografia.

Depois de formar-se em Comunicação Social, Malu de Martino se aprofundou no universo do cinema em renomados centros acadêmicos de Nova York, tais como Global Village New School e Young Filmakers Video Arts. Desde seu retorno ao Brasil, Malu vem se dedicando à direção de filmes para cinema e TV, destacando como de sua autoria a direção dos premiados longas “Como Esquecer- Anotações Quase Inglesas” , “Mulheres do Brasil” e “Sexualidades” .

Seu último trabalho, o documentário Margaret Mee  e a Flor da Lua, acaba de ser finalizado e já recebe convites para compôr a programação de conceituados festivais. Conheça um pouco mais sobre a diretora e sua obra na entrevista que Malu concedeu ao CTAv.

CTAv>>> Seu mais recente projeto é o documentário “ Margaret Mee e a Flor da lua”. Conte nos como foi o seu envolvimento com a história dessa artista botânica inglesa?

 Em 2009 um amigo que produziu exposições comemorativas dos 100 anos de Margaret Mee, pediu que eu mandasse legendar um vídeo que foi produzido no EUA para esse fim. Tomei então contato com o trabalho da artista e me interessei imediatamente em fazer um doc. Me pareceu super relevante não só a obra dela como também a sua militância relativa a preservação das espécies da nossa flora. À partir daí surgiu o doc Margaret Mee e a Flor da Lua.

CTAv>>>Muitos dos seus trabalhos têm relação com o universo das artes plásticas. Documentar em obra audiovisual Margaret Mee e suas pinturas parte de um desejo de retomar essa aproximação entre as duas vertentes?

Trabalhei muito tempo para instituições como a EAV, o MAM RJ e o CCBB, na área de registro em vídeo de exposições e artistas. Sempre tive muita ligação com essa área.Tanto que meu primeiro filme foi o média metragem Ismael e Adalgisa, que conta a trajetória do artista Ismael Nery , em 2001. Voltar prá essa vertente me pareceu natural pois  é um campo confortável de trabalho para mim há muitos anos.

CTAv>>>Esse filme apresenta ao espectador também o lado político de Margaret Mee, sua coragem e ousadia para discutir os problemas do país, principalmente as questões de preservação.  Era seu intuito levantar e incitar essa discussão?

Não dá prá falar de Margaret Mee sem tocar na sua intensa militância ecológica. Principalmente no que diz respeito à Amazônia. Acho o assunto e o momento oportunos para essa discussão, portanto ,desde o roteiro  tive em mente tocar neste ponto e trazer para o filme a visão de Margaret sobre essas questões.

CTAv>>>Como seu deu o processo para reunir as imagens de arquivo e conseguir os depoimentos utilizados no documentário?

Procurei desde as primeiras pesquisas para o roteiro, conversar com aqueles que conviveram com Margaret Mee e traçar `a partir disso um retrato , não biográfico, mas pessoal daquela que foi uma importante pioneira nos assuntos ligados ilustração botânica no Brasil e também relativos a ideologia que ela tanto defendeu.
A partir daí as pesquisas foram no sentido de busca de material de arquivo no Brasil e no exterior para melhor contextualizar  a vida dela no país que ela escolheu para viver- o Brasil.Em seguida busquei voltar as suas origens no interior da Inglaterra.

CTAv>>>Como foi voltar a filmar na Inglaterra depois da experiência recente de “Como Esquecer”, que também possui cenas rodadas em território inglês?

 Adoro a Inglaterra e fiquei muito feliz de voltar a trabalhar lá. Grande parte do acêrvo deixado por Margaret , se encontra no Royal Botanic Gardens -Kew, onde voltei diversas vezes durante a pesquisa e filmei as suas obras. A experiência de filmar no exterior é sempre enriquecedora para nós cineastas. Trabalhar com diferentes equipes com idiomas diversos é sempre um desafio. E é de desafios que somos movidos!

CTAv>>>Esse filme foi selecionado para realizar a mixagem no Centro Técnico Audiovisual.Quais as suas impressões sobre a qualidade do serviço prestado e o estúdio?

A minha impressão foi a melhor possível! A sala está com uma qualidade incrível e o trabalho foi muito bem realizado pelo Alexandre Jardim com o editor de som Waldir Xavier. Estou muito satisfeita e parabenizo o CTav pelo excelente estado dos equipamentos e qualidade de profissionais.

CTAV>>>E, por fim, onde os interessados em conhecer essa produção poderão assisti-la?

 Vamos estrear no Festival do Rio agora em outubro , depois vamos para Mostra São Paulo. Esperamos que o filme faça boa carreira em festivais antes do seu lançamento previsto para o ano de 2013.

* Nota: Na programação Oficial do Festival do Rio a exibição de Margaret Mee e a Flor da Lua está prevista para o dia 7 de outubro,  às 17h, no Odeon Petrobras.