Foto: Sececrj

Parceria entre as instituições vai oferecer serviços que custariam quase meio milhão de reais, utilizando a estrutura já existente nos órgãos.


O Centro Técnico Audiovisual – CTAv assinou nessa semana com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio (Sececrj) e a RioFilme um termo de compromisso de apoio ao audiovisual. A parceria teve início em 2019, com a seleção de duas produções no RioMarket, evento promovido pelo Festival do Rio que visa o desenvolvimento da indústria audiovisual através da troca de conhecimentos, encontros entre profissionais do ramo e geração de oportunidades de negócios.

Os projetos selecionados no pitching da edição, Veias Abertas, de Fernando Mamari, e Mais Views, de Silvio Andrade, receberão orientação técnica, equipamentos e infra-estrutura para sua realização. Dentro desse escopo, o CTAv irá oferecer o empréstimo de kit de filmagem digital de alta qualidade para as gravações (Kit Alexa), serviço de mixagem e duas cópias finais em Digital Cinema Package (DCP), que é atualmente o formato mais utilizado em exibições audiovisuais no país.

O apoio contribui não apenas para a produção nacional, mas também para a difusão desse conteúdo, uma  preocupação constante no setor. Inclusive, as cópias finais entregues pelo CTAv consistirão em versão com e sem legenda, já visando uma possível promoção internacional dessas obras e, consequentemente, da cinematografia brasileira.

A Sececrj, por sua vez, vai oferecer o estúdio para gravação de voz, instrumentos e trilhas dos projetos e a viabilização de uso de espaços do Estado que sirvam de locação para as gravações, enquanto a RioFilme entrará com a cessão de espaço físico dentro do órgão para base de produção de escritório, assim como a parceria na distribuição.

“A ideia de reunir parceiros para apoiar projetos audiovisuais em fase de desenvolvimento surgiu há algum tempo, mas tornou-se ainda mais pertinente nesse período que estamos vivendo. A formalização do compromisso de entre CTAv, SECEC e RioFilme tem o objetivo principal de facilitar a busca de novos apoios pelos diretores dos filmes ”, diz a coordenadora- geral substituta do CTAv, Débora Palmeira. Segundo a gestora, reunir instituições que possam apoiar produções independentes com suas expertises, equipamentos e espaços físicos, é uma alternativa ao fomento realizado tradicionalmente através de recursos financeiros. Em tempos de pandemia e considerando o processo gradual de retomada do setor cultural, esse pode ser um modelo viável para viabilizar diversos tipos de projetos.

A iniciativa das instituições abre possibilidade também para a formulação de ação de abrangência ainda maior: O objetivo de uma segunda fase dessa parceria seria democratizar o acesso a produção audiovisual em todo o estado do Rio de Janeiro, oferecendo capacitação e apoios técnicos, além da utilização de infraestruturas e espaços públicos.

Enquanto essas diretrizes ainda são formuladas pelas partes, informamos aos interessados em contar com o apoio do CTAv que está disponível em nosso site uma videoaula sobre a montagem e configuração de câmera digital de cinema e que as inscrições para empréstimo de equipamentos, suspensas no início da pandemia, serão reabertas nessa segunda-feira (17/07). Para mais informações sobre o Apoio à produção CTAv, é só entrar em contato com agenda.ctav@cidadania.gov.br.


CONHEÇA OS PROJETOS SELECIONADOS:

“Mais Views” de Silvio Andrade da Verama Filmes – Suspense (80 min.)

Baseado em um caso verídico americano, a história narra a vida de um casal brasileiro de blogueiros que exibe sua rotina e seu cotidiano familiar pela internet. Após um breve sucesso, o casal, influenciado pelos seguidores, passa a trazer novidades no seu dia a dia, algumas perigosas, para conseguir mais views e likes para seu Vlog. Na tentativa de manter e ampliar seu número de views e seguidores, em uma dessas façanhas, a namorada do casal assassina seu companheiro sem intenção, ou não.

“Veias abertas” de Fernando Mamari – Ficção (100 min.)

Conta história da Guerra do Paraguai na visão de um africano (escravo) que é obrigado a participar da guerra em troca de sua liberdade. Ele se junta a um português e um índio que juntos conduzem um pelotão de 10 homens para ir à guerra, vencem, e o africano ganha sua liberdade. A tríplice amizade perdura quando o africano sem saber o que fazer com a liberdade forma uma “Polícia Real” para resolver questões da realeza. O português precisa aniquilar um povoado quilombola onde, por coincidência, reside um irmão do africano. O africano atira no português quando este mirava com sua espingarda seu irmão para provocar sua morte. O irmão foge. O africano leva o português a uma curandeira que salva sua vida. Em gratidão, a amizade continua e eles voltam para a “Polícia Real” que é originária, implicitamente, da atual Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação Sececrj